sábado, 12 de outubro de 2013

Sala

Olhei pro sofá hoje e me lembrei da minha visão da minha própria casa, de anos atrás.
Lembrei que queria uma sala pequena, com mesa de centro, sofá verde musco de camurça, estante com TV e livros. Lembro que sonhava com o cheiro de incenso que minha casa teria. O tapete estilo indiano embaixo da mesa de centro, que teria o incensário, um cinzeiro de vidro e uns cristais. Queria uma sala exotérica. Imaginava uma sala de pouca luz e muita fumaça. Um lustre que ficaria bem encima da mesa de centro, que daria a pouca luz necessária para eu ler meus livros no meio da fumaça. Podia imaginar imagens egípcias na minha estante e mais cristais perdidos no móvel mogno. Queria também coisas penduradas pelo teto, como aquele espiral de energia que eu tinha no meu quarto até eu vir morar aqui. Lembro que o sofá tinha que ser baixo, pra eu ficar mais perto do chão, com os joelhos bem flexionados. Provavelmente teria também aquelas cangas com estampas egípcias penduradas, acumulando poeira.
O que eu não sabia é que eu nunca teria aquela sala. Sempre que eu visualizava minha casa, eu focava na sala. Não tinha a mínima idéia de como seria meu quarto ou minha cozinha. Só a sala. Pra mim seria meu lugar preferido da casa inteira. Na época eu não imaginava que ficaria o dia inteiro colada numa máquina como o computador. Nem pensava em como seria meu telefone celular. Até porque era algo meio longe da minha realidade. Sempre me vinha a cena de alguém indo me visitar e sentando numa poltrona, do mesmo estilo do sofá, que ficaria bem em frente a ele, da mesma cor. Lembro de visualizar a cena de eu levantando do sofá grande pra pegar algo para a pessoa. O cheiro da minha casa... Lembro que pra mim as cores das paredes seriam escuras e em tom pastel pelo que me lembro. A cena de eu me esforçando pra me levantar do sofá tão baixinho. E em tese eu amaria aquilo ali.

Estranho eu lembrar disso, do nada. Hoje minha sala é clara e eu não tenho um sofá verde. Nem uma estante mogno. Os livros eu tenho, mas nada de cristais ou incensos. Muito menos estátuas egípcias. Engraçado que eu imaginava tudo isso quando era muito novinha. Tinha uns 8 ou 9 anos. E hoje em dia tenho uma sala que uma criança normal de 8 ou 9 anos iria querer: tudo muito feminino e claro. Coisa que eu não sei porque vim a querer. Eu não deveria ter mudado o gosto pela decoração da sala, disso eu tenho certeza.

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